Não perca o momento certo – 2

 

Por Eloi Zanetti

 

Assim como no teatro, também no mundo empresarial, é preciso ter timing
Há uma hora mágica chamada hora da sedução, deixada passar o encanto e o fascínio se desfazem e com eles o interesse daquele que seria seduzido. Existe a boa hora para tudo: a de agir, de apresentar ideias, trabalhos, falas, solicitações e discursos. Bons sedutores sabem a hora exata de atuar, seja no fechamento de uma venda, na concretização de um negócio, num pedido de aumento/promoção ou pedir alguém em casamento.
É preciso estar atento a este momento mágico, brevíssimo, quando a oportunidade se apresenta – o instante fugaz capaz de mudar o destino de nossas vidas. Bons articuladores usam da astúcia para tecer estes momentos, isto é, vão construindo passo-a-passo a melhor hora para seus propósitos – conduzem as circunstâncias a seu favor. A este tempo de urdidura, de montagem dos momentos propícios e de preparação para a ação final podemos chamar de cronos. E ao tempo em que tudo muda podemos chamar de kairós em linguagem moderna – o momento da virada ou turning point.
Senso de timing – qual a hora certa de entrar ou sair de cena?
Há no teatro o senso de timing. Isto é, saber o momento exato de entrar, falar, ficar quieto e sair de cena. Precisamos aprender a desenvolver este atributo para uso em nossa vida real. Políticos experientes sabem a hora certa de falar com seus eleitores, escolhendo com critério a ocasião propícia para apresentar ideias, brigar com oponentes, gerar fatos, aparecer ou sumir do noticiário. Quer alguém com maior poder de senso de timing do que Leonel Brizola? Sua carreira foi uma sequência de aparições corretas e desaparecimentos misteriosos. Nos seus bons tempos, quando lhe era conveniente, aparecia e provocava barulho instigando tudo e a todos. Impunha sua presença soltando frases de efeito e voltava a sumir quando percebia que isso se fazia necessário e conveniente. Sabia evitar o desgaste, o excesso de exposição e não se queimava na mídia.
E no futebol – qual é a hora certa?
Grandes craques possuem senso acuradíssimo de saber a hora certa de fazer o passe, roubar a bola do oponente e finalizar gols. Domingos da Guia, graças à sua misteriosa capacidade em se materializar de uma hora para outra e roubar a bola dos pés do adversário, foi considerado o melhor zagueiro do nosso futebol. Sobre a sua arte de roubar as bolas, dizia, brincando: se chego antes, é cedo; se chego depois, é tarde; só tem uma hora para chegar e roubar a bola, a hora certa.
Saiba tirar proveito da circunstâncias
 
Atentos às situações favoráveis, poderemos tirar melhores proveitos das circunstâncias. A hora é a hora, antes da hora não é a hora, depois da hora já não é mais a hora. Com esse ditado, os militares alertam existir o momento certo para tomar decisões. Saber agir na hora certa é privilégio de poucos. Estamos tão imersos na ansiedade do “tudo para ontem” que perdemos a noção de um dos maiores presentes que a natureza nos oferece: perceber a hora correta da maturação, pois uma fruta colhida antes do ponto é imprópria e depois apodrece e cai.
O tempo e as oportunidades não esperam por ninguém
 
Visionários que se apresentaram antes do tempo pagaram alto preço pelo pioneirismo. Se isto foi necessário ou não é outra história, mas milhares de artistas, inventores, empresários, pesquisadores, políticos e estadistas propuseram suas ideias e iniciaram sua obra bem antes do momento certo. Incompreendidos nas suas épocas deixaram legados para outros que se apropriaram dos seus trabalhos, dando-lhes sequência, acertando e ficando com as regalias, os bônus e as glórias merecidas pelo antecessor. Por isso é preciso atenção: estamos na nossa hora, no nosso tempo e no nosso lugar?
É sensato saber se comportar de acordo com a ocasião e as circunstâncias. A arte de argumentar deve ser realizada no momento certo, pois o tempo e as oportunidades não esperam ninguém.

eloizanetti@gmail.com

 

 

Redação

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