Entenda a crise política e econômica que assola a Argentina

Em ano de eleições, Maurício Macri tem altos índices de rejeição e Cristina Kirchner se lança ao cargo de vice-presidência

 

Com pauta econômica liberal e uma campanha regada por promessas de impulsionar a economia argentina, Maurício Macri foi eleito em 2015. O presidente assumiu a república com o objetivo de levantar o Produto Interno Bruto (PIB) do país e resolver problemas como inflação, desemprego e pobreza.

Macri chegou ao poder após a Argentina ter sido governada, durante doze anos, pelo casal Néstor e Cristina Kirchner. Entre 2003 e 2007, Néstor foi presidente. Depois, até 2015, foi Cristina quem comandou o país. Ambas as gestões foram marcadas por políticas populistas e nacionalistas.

Esse sistema estabelecido pelo casal acabou por manter as tarifas de energia muito baixas e baratas. De acordo com o diplomata e ex-embaixador do Brasil na Argentina, José Botafogo Gonçalves, que também é vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, isso acabou provocando um baixo desempenho econômico. Por isso, quando Macri assumiu o poder em 2015, tinha o desafio de cumprir as promessas feitas durante a campanha e melhorar a situação econômica do país, mas não foi o que realmente aconteceu.

Após três anos e meio de governo, o país agora enfrenta o acúmulo de 54,7% na inflação nacional – mais que o dobro do que o mesmo período do ano anterior. Além disso, o PIB caiu 2,5%. A taxa de desemprego é de 9,1% e, segundo os números oficiais, 32% dos argentinos vivem abaixo da linha da pobreza.

Botafogo Gonçalves lamenta a crise e define a situação como “dramática”, principalmente “porque a Argentina sempre foi um país que teve uma classe média muito bem desenvolvida”. Ele explica que é um país que sempre teve abundância de alimento e exemplifica: “a carne era uma comida do pobre e do rico e que hoje está atravessando essa crise de inflação elevada e afetando as condições de vida também da classe mais favorecida”.

A estudante Vitória Carnaúba, 22 anos, mora em Buenos Aires há dois anos. Ela conta que têm percebido diariamente esse aumento não só nos mercados e restaurantes, mas também no transporte público.

“Há dois anos era bem considerável. Aumentava toda semana, mas no máximo três pesos. Hoje, as coisas começaram a aumentar de uma semana para a outra, cerca de 20 e 50 pesos”. A estudante completa contando que muitos amigos, dentro da própria universidade, comentam que deixaram de comprar leite e carne, porque com o aumento, se tornaram alimentos “inviáveis”.

E o Brasil?
A relação de comércio bilateral entre Argentina e Brasil, firmada em 1997, tem perdido forças com a crise. A importação que o Brasil faz de alimentos como trigo e lácteos, e também de automóveis, tem caído. Botafogo Gonçalves aposta que cairá ainda mais, uma vez que Maurício Macri não consegue recuperar a economia. O especialista explica que não haverá um déficit comercial para o Brasil, mas sim para a Argentina.

Greves gerais
Ao todo, desde 2015, o governo Macri teve cinco greves gerais no país. O povo foi às ruas para se manifestar contra as decisões do presidente em relação ao corte de gastos, acordo com o Fundo Monetário Internacional, pedir por salários melhores, mas, principalmente, para protestar contra a alta da inflação.

 

 

O diplomata José Botafogo Gonçalves defende que são vários os pretextos para os argentinos protestarem, mas ele acredita que o motivo é um só: a alta da inflação. Ele compara a crise argentina com a situação que o Brasil viveu na década de 1980 e define o período como de “inflações galopantes”. Botafogo Gonçalves é categórico ao lembrar que, “quando a inflação cresce, a população pobre é a que sofre mais”.

Ano eleitoral
O mandato de Macri se encerra neste ano, mas o presidente já sinaliza forte interesse em se candidatar novamente ao cargo. De acordo com levantamento da Synopsis, feito no início de maio, Cristina Kirchner – que também já tinha sinalizado que ia concorrer ao posto – tinha 35,3% das intenções de voto, contra 30,8% do atual presidente. Ambos lideravam as pesquisas para o primeiro turno. Um terceiro possível candidato, o economista Roberto Lavagna, derrotaria qualquer um dos dois no segundo turno.

Acontece que, ao contrário do que muitos especialistas argentinos e sul-americanos previam, a ex-presidente Cristina Kirchner não apresentou candidatura à presidência, mas anunciou que será vice de Alberto Fernández.

O especialista em Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Carlos Eduardo Vidigal, explica que tanto Cristina Kirschner, quanto Maurício Macri, têm um alto índice de rejeição. Para ele, “a eleição desse ano provavelmente será muito dura e equilibrada”. O especialista interpreta que “Cristina, com a indicação do Alberto Fernandez, procura ganhar simpatia do peronismo não kirschnerista, que também é chamado de peronismo federal”.

Agência do Rádio

 

Redação

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