Pescadores estão desistindo de pescar pela falta de compradores

Comunidade de Abreu do Una é basicamente formada por trabalhadores do mar que sentem no bolso e no prato as consequências do desastre do óleo que se espalha pelo litoral do Brasil
Casinhas coloridas chamam a atenção quando passamos pelo bairro de Abreu do Una, no município de São José da Coroa Grande, em Pernambuco. Na comunidade, podemos ver crianças brincando nas ruas, mulheres lavando roupas, diversas belezas naturais e muitos pescadores preocupados, sem saber o que será do dia de amanhã. O motivo? Com a chegada do óleo na região, a venda de pescado caiu drasticamente, impactando a economia local. 
Essa não é uma realidade apenas desse povoado, mas da maioria dos pescadores do Nordeste.  Abreu do Una tem uma particularidade: números não oficiais indicam que 80% das pessoas que vivem lá sobrevivem da venda de pescado.
Os trabalhadores e trabalhadoras das águas focam na pesca artesanal, com tipos de rede como tarrafa, além da linha de mão. Vendem peixes, mariscos, caranguejos, entre outros produtos, para restaurantes, bares, comércios e diretamente para a população, que sempre dá preferência a eles pela garantia de comer um pescado fresquinho. Praticamente, da água para a mesa.
Com a tragédia do óleo que se espalha pelo litoral do Brasil, a procura pelo peixe quase não existe. Um bom exemplo é a tentativa que fizeram de baixar severamente os preços. A resposta que receberam dos possíveis compradores foi “É siri de óleo? Quero nada!”.
Muitos dos pescadores têm se deslocado até Barreiros, município próximo, para vender os produtos. Voltam, porém, com quase tudo que levaram. O que já foi pescado ou vai para o freezer – com a esperança de vender no dia posterior – ou, então, é consumido por eles mesmos, que, diante da situação, não têm outra coisa para comer. Apesar do orgulho que têm da profissão, muitos estão procurando outros ofícios para desempenhar, como a ocupação de pedreiro, por exemplo.

Um pescador nos conta a história de sua esposa, marisqueira, que fez um empréstimo no Banco do Nordeste para comprar materiais de pesca. Ela, agora, sofre ao pensar como fará o pagamento das parcelas, já que, de uma hora para outra, sem aviso prévio, ficou sem trabalho. 

Os moradores do local estão consumindo os peixes. Muitos garantem que não há contaminação, pois vieram das águas doces que não foram afetadas. Mas o fato é que o Governo não tem feito um plano de ação para analisar possíveis contaminações de pescado.
A costa do país é extensa e diversas questões precisam ser analisadas por especialistas: como fica a situação dos peixes que não tiveram contato com o óleo, mas nadam em águas e mangues que foram contaminados? Como está a qualidade da água? Existe realmente perigo de se consumir pescado? Como fica a questão dos peixes migratórios, que podem vir de áreas afetadas, mas foram pescados em áreas intocadas pelo óleo? Como a população precisa se organizar em relação a essa alimentação? “Temos que pescar mesmo pra comer”, diz José de Vasconcelos Lemos, 59 anos, que iniciou na pesca com 10 anos de idade. 
São muitas as perguntas que existem. Mas os pescadores dessa localidade não têm o “luxo” de esperar um longo período por respostas, afinal a situação é urgente já que envolve trabalho e alimentação, duas necessidades básicas de qualquer cidadão.  

Greenpeace

 

Redação

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