Os caminhos que levam ao comércio de bairro

Empresários, associações e coletivos de empresários se juntam para ajudar os pequenos comerciantes durante a crise provocada pelo coronavírus
A História revela que o Homem é uma espécie dominante graças à sua capacidade de adaptação. E essa talvez seja a qualidade essencial para superar esse momento de pandemia de Covid-19 que fez o mundo inteiro parar. O esforço também passará pela criatividade e solidariedade, principalmente para setores mais frágeis, como é o caso dos pequenos varejistas de bairro.
tarsitanoUma pesquisa feita pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) revelou que 89% dos pequenos negócios já enfrentam queda no faturamento por causa da crise causada pela pandemia de coronavírus no Brasil e que mais de 62% dos negócios interromperam temporariamente as atividades ou fecharam as portas definitivamente.
Os números assustam ainda mais quando pensamos no peso dessas empresas para a economia. O Brasil tem 16,9 milhões de pequenos negócios, equivalentes a 44,3% da massa salarial do país e 29,5% do PIB nacional. De acordo com as estimativas da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), o impacto do isolamento no varejo será de R$ 100 bilhões até maio.
Diante desse cenário vários movimentos de apoio aos comerciantes de bairro começaram a surgir. Uns partiram de entidades de classe, outros do esforço de empresas maiores que, de certa forma, necessitam dos pequenos empresários para sobreviver, e muitos nasceram da organização dos próprios comerciantes, que deram-se as mãos para garantir a própria sobrevivência.
A CNDL é um exemplo de iniciativa de instituições representativas. Ela lançou a campanha “Adote um Pequeno Negócio”, que procura mobilizar influenciadores para alertar o consumidor sobre e importância do comércio de bairro. “Esses negócios têm um grande papel nas estruturas econômicas das cidades. Geram empregos e recolhem impostos. Ajudá-los é papel de a comunidade”, explica o presidente da CNDL, José César da Costa.
O Sistema CNDL, que reúne milhares de associados, passou a trabalhar em torno da causa e, em pouco tempo, surgiram várias iniciativas. A Câmara de Dirigentes Lojistas de Rondonópolis, por exemplo, criou uma lista com todas as empresas que estão disponibilizando seus produtos via delivery para a comunidade. O intuito é facilitar o acesso dos consumidores aos lojistas e evitar que a população circule nas ruas. A CDL de Uberaba abriu seus canais digitais para orientar os comerciantes para ajudá-los vender os seus produtos ou serviço pelas redes sociais.
Mercado Azul
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) tem se apresentado como importante ferramenta de suporte aos pequenos empresários nesse momento de crise. Desde que os efeitos da chegada do coronavírus começaram a reverberar nos setores de comércio e serviço, a entidade se prontificou a apresentar assistência aos empreendedores.
Criou um guia de gestão financeira para pequenos negócios com orientações sobre como os empresários podem fazer o controle das finanças diante das complicações nos negócios gerados pela Covid-19 na economia, e inaugurou um portal com conteúdo voltado para ajudar empreendedor a superar a crise do Coronavírus.
Mas é na plataforma Mercado Azul que o Sebrae socorre o pequeno comerciante na prática. A ferramenta funciona como uma vitrine digital para as micro e pequenas empresas que buscam novos canais de venda, divulgação e presença digital. Para divulgar o produto ou serviço basta que o empresário insira o CPF da empresa na plataforma. Entre as facilidades oferecidas, o empreendedor pode criar anúncios com até oito fotos, horário de funcionamento, inserir preços, e realizar promoções exclusivas.
Além de possuir fácil acesso e segurança, a plataforma permite que o empresário divulgue suas redes sociais como Facebook, Instagram e WhatsApp, permitindo contato direto entre o empresário e a clientela. Também é possível compartilhar os anúncios do Mercado Azul nas redes sociais do próprio negócio ou do empreendedor e fazer ligações diretas, por meio do celular.
O canal, que é totalmente gratuito, acabou se tornando a tábua de salvação para milhares de empresários, na medida em que a presença digital se tornou vital para os negócios. “Hoje, diante da crise gerada pelo coronavírus, que impede a circulação de pessoas, a presença digital tem sido a única saída para muitos empresários”, diz analista de Soluções do Sebrae, Louise Machado, que lembra que 73% das pequenas empresas do Brasil não estão presentes na Internet. “As pessoas estão buscando produtos e serviços na internet por uma questão de segurança, daí a necessidade cada vez maior de dar visibilidade aos pequenos negócios no mundo digital”, explica.
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Saída coletiva
Outras iniciativas partem dos chamados coletivos, nas quais grupos de empresários de áreas diferentes se reúnem para soluções comuns. Isso funciona bem quando empresas são unidas pelo mesmo tipo de consumidor. Foi o que aconteceu, por exemplo, em Brasília, quando o casal de empresários brasilienses Mari Braga e Daniel Braga decidiu reunir empresários parceiros para manter o fluxo produtivo local.
“Estávamos vendo muitas iniciativas criando hashtags que uniam somente os negócios, mas que não facilitava o acesso à informação ao consumidor final”, diz Mari Braga. Foi quando criaram um perfil @escolhabsb no Instagram, dedicado a divulgar esses os pequenos empreendimentos de Brasília.
Mariana dapA divulgação é gratuita e tem como objetivo conectar esses comerciantes com o público final. O requisito para participar é ter um negócio em Brasília e que gere emprego e impostos no local. O contato é todo feito por meio de aplicativo de mensagens, onde são repassadas as informações do tipo de produto ou serviço, além de “uma foto bem linda” para ilustrar a postagem.
O mesmo ocorreu como o mercado colaborativo Cobogó, de Brasília. Obrigados a fechar as portas durante a quarentena, os empresários recorreram às redes sociais para divulgar os produtos de pequenos empreendedores que também são seus fornecedores. Em lista de transmissão do WhastApp, foi distribuído com uma lista de 15 marcas para entre empanadas, bolos, tortas, plantas, vasos e plantas. “A ideia é colaborar com a continuidade dessas marcas e ajudar na manutenção do emprego das nossas equipes durante esse período de incertezas”, diz Mariana Dap, proprietária do Cobogó.
Outros caminhos incluem a organização de grupos de empresários que promovem fóruns de debates. Rosanna Tarsitano, comerciante de queijos artesanais e especiais, integra um desses grupos. “Nos reunimos em ferramentas de videoconferência para encontros com especialistas e técnicos que nos orientam quanto a melhor forma de lidar com os negócios nesse momento”, explica. “Também é um espaço quase terapêutico, onde escutamos as dores dos nossos colegas e entendemos que o que estamos passando exige de todos nós união, compreensão e solidariedade
Conheça:
– Escolha BsB
–  Mercado Cobogó
– Mercado Azul
– Pede pelo Zap
– Criativos ao seu lado

 

CNDL

 

Redação

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