Marketing: Olhando além da neblina – dois

Um dos principais atributos do profissional de marketing é exercer apurada capacidade de adivinhação. Saber prever os rumos que a sociedade está tomando e antecipar o seu comportamento, gostos e modismos. Intuir e pegar “as coisas no ar” muito antes que os outros as percebam e, em posse deste material etéreo, rico em informações subjetivas, preparar produtos, serviços e colocá-los disponíveis no mercado nos momentos mais apropriados.
É um jogo de astúcia e deve ser realizado a despeito do pedido explícito ou não dos consumidores, porque normalmente eles não sabem explicar as  suas vontades, isto é, verbalizar seus desejos inconscientes. A maioria dos produtos de sucesso não foi solicitada por ninguém. A capacidade de antecipar as tendências de mercado exige olhar agudo e constante sobre os movimentos da sociedade, só assim perceberemos as sutilezas dos seus caminhos. É como enxergar além da neblina, dirigir um carro num dia de intenso nevoeiro e adivinhar o que existe lá na frente.
Para fazer isso com competência, o marketing se apropria descaradamente das várias especialidades do saber humano: economia, antropologia, sociologia e psicologia; das manifestações da arte com as suas expressões na música, teatro, literatura, cinema, artes plásticas e, pasmem, até das pesquisas de mercado. E quanto a estas, aprender a ler nas entrelinhas e captar aquilo que não está dito na obviedade dos relatórios. Ensinamentos que a raposa, personagem de “O Pequeno Príncipe”, já dizia sabiamente:  “O essencial é invisível para os olhos”. Nas pesquisas e enquetes aquilo que não é dito claramente é mais importante do que aquilo que foi dito.
 Somadas a essas habilidades de adivinhadores, os profissionais do marketing devem também apurar o olhar sobre o presente, ficar atentos às circunstâncias e perceber sempre o que está acontecendo ao seu redor no exato momento dos acontecimentos.  Porque este olhar cristalino sobre o que se passa em volta vai permitir que com as ferramentas da criatividade possam realizar adaptações rápidas, precisas, tirando o máximo proveito das mudanças. E isso tem de ser realizado, justamente nos seus momentos mais apropriados. A onça quando dá o bote já viu tudo o que tinha que ver.
 É tolice brigar com as circunstâncias ou amaldiçoar as necessidades das mudanças, elas são inevitáveis. Por isso a necessidade da eterna adaptação. Charles Darwin não disse que na natureza sobrevive o mais forte, mas, sim, o mais adaptado. E o profissional dos novos tempos não é mais aquele especialista dos anos 60, nem o generalista dos anos 80. A palavra que melhor o define, nos dias atuais, é: adaptabilidade
E as empresas, como bons seres orgânicos, precisam saber reconhecer as mudanças, intuir as futuras viradas de mercado e saber tirar o melhor proveito delas. Viver de acordo com as circunstâncias é estar atento à realidade, manter o rumo na direção desejada fazendo as adaptações sempre que forem necessárias. E para fazer isso bem feito é preciso uma boa dose de criatividade, aliás, é daí que ela nasce mesmo.
 Eloi Zanetti – especialista em marketing e comunicação corporativa, escritor, palestrante – eloizanetti@gmail.com

Redação

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