Mais baratos e seguros, os drones alçam voo na indústria do cinema

Com mais de 115 mil pilotos certificados nos Estados Unidos, o drone é o equipamento da vez no cinema, de Hollywood a produções independentes.
Desde o seu lançamento para uso comercial, em 2011, os veículos aéreos não tripulados (UAVs), popularmente chamados de drones, vem mostrando que o céu é o limite quando o assunto é a usabilidade do equipamento em segmentos que vão de segurança e agricultura, passando pela construção civil até produções audiovisuais.
Na indústria cinematográfica, os drones voam cada vez mais alto ​​graças a recentes avanços tecnológicos que incluem baterias com maior capacidade e softwares mais sofisticados, além do tamanho portátil e a qualidade técnica capaz de gravar imagens de alta resolução dignas de serem exibidas na telona. Modelos como o DJI Phantom e Freefly Alta, que estão entre os mais populares da categoria, apresentam um sistema de posicionamento de voo tão estável que funciona até em situações de vento forte. O sistema de prevenção de obstáculos, que evita o choque do equipamento, também evoluiu nos últimos anos. Vem daí o aumento de filmes que exibem cenas aéreas em alta velocidade, câmeras decolando do chão até o topo de edifícios e mergulhos visuais em matas fechadas, vistas em superproduções de Hollywood como Piratas do Caribe, Aquaman e o aguardado Star Wars 9, que já no trailer do novo episódio da saga, a ser lançado em dezembro, abusa dos efeitos obtidos através do drone XM2, capaz de atingir até 70 quilômetros por hora.
Mas não são só os blockbusters americanos que se beneficiam do levante dos drones no mercado cinematográfico. “Com preços mais acessíveis, os drones estão rapidamente se tornando uma ferramenta popular entre cineastas independentes”, diz o diretor Miguel Rodrigues, que lançou mão do equipamento para filmar o piloto do longa Metrópole, ainda em fase de produção, e o clipe O Terror Tem Nome, de MC Kauan, com mais de 24 milhões de visualizações no YouTube. “Um drone pode substituir muitos equipamentos, de grua a tripé até helicóptero”, afirma o profissional que tem no curriculum novelas globais como Kubanacan e Senhora do Destino.
O número de pilotos remotos certificados é a referência para o crescimento da indústria de drones comerciais. No ano passado, o número certificações expedidas pelo departamento federal americano de aviação FAA cresceu cerca de 50% em relação ao ano anterior, para aproximadamente 115 mil. Até 2025, a Bloomberg prevê que o mercado de drones será 33% maior do que é hoje, passando de 4,4 bilhões em 2018 para 63,6 bilhões de dólares.
A demanda no Brasil também decolou. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o país registrou em 2018 um crescimento de 100% na quantidade de solicitações de registros de drones para uso profissional. Além disso, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) também teve um aumento no número de solicitações de operações com drones, passando de 13 mil em 2017 para 80 mil em 2018.
“À medida que cresce a popularidade do drone, aumenta também o nível de qualificação exigido para operar o equipamento e as normas regulamentadoras para voar em locais públicos”, diz Ricardo Cohen, fundador da Associação Brasileira de Multirrotores (ABM), que reúne pilotos remotos que fazem uso profissional ou recreativo desse tipo de equipamento, supervisionado desde 2016 pela ANAC. Ele começou a voar drones por hobby até começarem os convites para pilotar o equipamento em filmes comerciais, novelas e na série documental Welcome to Rio, da rede britânica BBC, sobrevoando as praias da capital carioca. Hoje, Ricardo estuda cinema na Universidade da Califórnia em Los Angeles – UCLA, visando aperfeiçoar seus conhecimentos em cinematografia aérea. “Fazer cinema vai muito além de saber operar uma máquina. Precisa entender de fotografia, de plano, de composição e, claro, dos princípios da sétima arte”, diz.
Drones estão mudando também a produção de filmes de animação, acelerando o processo e ajudando a criar imagens muito mais realistas. Isso porque para reproduzir o movimento de um ator, por exemplo, é preciso de pelo menos duas câmeras trabalhando simultaneamente, envolvendo grande investimento financeiro e equipe técnica. Com o advento do drone, esse método se tornou obsoleto. “O drone cria planos superestáveis e precisos, que facilitam a interação entre filme e animação, seja 2D ou 3D”, diz o diretor de fotografia David Reis, que usa o recurso em filmes comerciais. “O drone é o melhor aliado dessa indústria atualmente, pois facilita decisões artísticas, minimiza custos e entrega desde imagens contemplativas até cenas de ação com alto movimento”, diz.
Para prestigiar profissionais do novo mercado, surgem festivais de cinema dedicados exclusivamente a produções feitas com drone, caso do New York City Drone Film Festival, que desde 2016 premia o melhor da cinematografia aérea internacional em Nova York. No Brasil, o No Ar Drone Film Fest acontece no dia 27 de julho, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, onde a estrela são os curtas-metragens com pelo menos 50% de duração filmados com drone.

Redação

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