Entre duas realidades possíveis

Por Alcion Bubniak

Diariamente as pessoas se defrontam com ambiguidades, diante de escolhas a serem feitas. Mesmo que o resultado aponte uma única escolha, é interessante observar que, depois que uma escolha é feita, todas as demais consequências derivam dela. Do ponto de vista não científico, estar diante de duas possibilidades encerra uma condição desconfortável de responsabilidade por aquilo que se seguirá logo mais a frente.
Se por um lado, uma simples escolha pode ter um viés racional ou emocional, é impreciso antecipar se a escolha foi acertada. Ouvir a voz interior pode revelar uma disposição entre silenciar a voz da razão, para que a voz da consciência se sobreponha, esteja ela na dimensão do presente ou do passado, pelas experiências já vividas.
O fato é que a escolha significa ainda uma ação de livre arbítrio, enquanto que as consequências, a exemplo de seu próprio significado, são meros cumprimentos das etapas que se seguirão, para as quais nem sempre é possível fazer novas escolhas.
Em se tratando de empresas, ideias, invenções e marcas, a razão aparente que se sobrepõe a qualquer outra intenção, é a da lucratividade. No aspecto material e imediato, nada há de contradição, uma vez que qualquer empreendimento é uma soma de esforços em prol da própria sobrevivência, tanto da empresa quanto dos indivíduos. Porem, em outra dimensão, experiências de vida estão sendo trocadas todo o tempo. E no lado oculto destes intercâmbios, os serviços devem estar voltados essencialmente para beneficiar os clientes.
Quando estes serviços não cumprem com as suas promessas, os empreendimentos naturalmente perdem o estímulo, como se fosse da natureza, a exigência desta condição para a perpetuidade. É a constatação da necessidade de contribuição para o mundo ao redor.
O que parece mais estranho é que, embora tenha-se tentado o mapeamento da cadeia de processos eficazes, e existirem centenas de teorias de análise de casos de sucesso, o que se conclui é que estes derivam de causas multifatoriais. E muitas das etapas destes processos, passam por mudanças e ajustes de realinhamento.
A avaliação de algo já concretizado é sempre uma tarefa objetiva e mais fácil, do ponto de vista da ideia em si, pois todos os critérios ocorrerão sobre uma realidade existente. É diferente do que ocorre no campo do imaginário, onde as formas ainda não estão materializadas, por estarem no mundo das hipóteses.
Ao se tratar de tecnologia e de invenções, os pedidos de patentes possuem como base, as configurações materializadas de conceitos inventivos, os quais não precisam necessariamente serem testados terem concedidos os seus títulos de exclusividade. Basta apenas atender aos quesitos da lei especial que regra o tema. Neste aspecto, a “novidade absoluta” juntamente com a suficiência descritiva” são os critérios  mais relevantes.
Ao referendar o pioneirismo dos inventores, Leonardo da Vinci* é sempre citado por historiadores como o precursor de muitas invenções, que vão desde o helicóptero, paraquedas, rolamentos, metralhadora, máquina voadora, roupa de mergulho, robô e até das cidades modernas. É o exemplo da genialidade humana ao extremo, numa época de escassez de referências, e até de perseguição à ciência.
No Brasil, figura o nome de Alberto Santos Dumont**, um dos pioneiros da aviação mundial que realizou muitas façanhas, na Europa da época. Embora a sua invenção notória tenha sido o “OISEAU DE PROIE (14 BIS)”, existem inúmeras criações do gênio brasileiro, que residia em Paris. Inventor do primeiro avião produzido em série (DEMOISELLE), foi também o criador do primeiro avião de voo controlado e impulsionado por motor a gasolina, desde o hangares e dirigíveis.
O que se nota em todos estes inventores, é que cada criação levou anos para a concretização, e que a criação independe de aspectos de nacionalidade ou cultura. E o que se constata como fenômeno da era atual, é que as invenções se multiplicaram exponencialmente com o avanço da globalização e da informática, principalmente nas últimas décadas do século XX.
Mesmo partindo de um problema para buscar soluções, inventar é uma tarefa simples, mas que pode se tornar complexa, dependendo da engenhosidade que a invenção requer. Mesmo que seja no sentido de adaptar melhorias às invenções já existentes, a natureza pode servir de inspiração para novos sistemas de funcionamento. Para todos os casos, a imaginação necessita da proatividade para materializar no mundo, novos conceitos e inovações, que são tão úteis a vida de toda a coletividade. Com isso fica evidente que a escolha mais importante é ouvir a voz interior e dar o primeiro passo.

* Leonardo di Ser Piero da Vinci, gênio do renascimento italiano de 1452, foi inventor, artista, matemático, escultor e cientista deixando um grande legado ao mundo.

** Alberto Santos Dumont, inventor brasileiro de 1873 ficou mundialmente famoso, em especial no mundo da aviação. Desenvolveu seus protótipos a partir de ensaios com pipas.

*Alcion Bubniak, é formado em Desenho Industrial e como Agente de Propriedade Industrial (credenciado ao INPI API 116), atua há mais de 30 anos na assessoria de proteção à propriedade intelectual com extensão aos aspectos mercadológicos, de design, branding e estratégias comerciais.

 

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